De malas prontas

Comprei um guia na banca de jornal.
Agora só falta escolher
qual a rota da minha fuga.
Estou de malas prontas.

Me resta ainda saber em que lugar
minha alma vai ficar.
Por que é de mim que quero fugir
pra qualquer, qualquer lugar.

Quero nua me jogar ao mar,
ou sei lá, pelos campos cavalgar.
Vou prender minha alma num caixote
e pirar como um Don Quixote.

Só preciso sair daqui.
De um lugar que adormeci.
Que permaneci.
Que me acostumei, me habituei, me reneguei, me trancafiei, me me me me me me....

Ah! Quero sair de mim.
Cansei do meu umbigo.
Do formato do meu umbigo.
De que meu umbigo é um buraco no meio da minha barriga.

Quando a gente se cansa da gente
é porque algo está errado.
E tem uma porrada de coisa errada.
Vou desfazer as malas.

Não quero levar nada.
Absolutamente nada.
Quero ir de malas vazias.
Catando latinhas pisadas com minhas sujas botinas.

Vou rasgar o guia.
E ir para qualquer lugar.
Só não quero mais permanecer aqui.
Aqui já não me pertence mais.

Talvez eu leve o tira grudes e o limpa pedras.
É. Talvez.

Juliana Tura

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