Você sabia de Olímpia?


Você sabia que existe vida além da sua vida?

Marcondésia, Jatobi, Olímpia, Severínia, Monte Verde, Monte Azul e mais um monte de Montes são cidades interioranas do Estado de São Paulo. E você acredita que existem ali pessoas como nós? Pois, é. Pois, é. Mas muitas delas acham que nós paulistanos vivemos num outro mundo. É assim, ó. Vou explicar do meu jeitinho
Elas acreditam que a vida que a gente leva aqui é DA HORA. Que temos uma porrada de coisa pra fazer, sabe? Tipo: Noite agitada, grana, gente bonita pra beijar muito, e que ainda por cima somos muito felizes. Porque afinal de contas temos muito o que fazer e por isso não podemos: perder tempo olhando o céu estrelado a noite (que eles tem e nós não temos), prestar atenção no ar puro que chega aos nossos pulmões (que eles tem e nós não temos), espreguiçar ao acordar (que eles fazem e nós não fazemos), cumprimentar sem precisar conhecer (que eles fazem e nós não fazemos), parar para refletir, comer, conversar (que eles fazem e nós não fazemos), e mais, lá eles não se dão conta também que a gente paquera no trânsito, porque se eles soubessem, íam achar o máximo ter que ficar 3 horas dentro de um carro só paquerando. Aliás, lembro que quase não ví faróis de trânsito na cidade, e não pense você que era por falta de carro não, porque haviam pickups pra tudo quanto era lado. Eu deduzi que a falta de faróis na cidade devia significar paciência (que eles tem e nós não temos).

Ah, mas lá, eu também conheci gente com alma daqui. Gente que quer ser estrela, gente que quer ser emo, gente punk, gente alucinada, adulto que quer ser criança, gente que quer ser gente, gente carente. Gente que eu gostaria de reencontrar. Reencontrar pra dizer que somos felizes quando estamos bem com a gente. Que somos jovens. Que a vida não pode ser jogada fora. Que há pessoas que dependem de nós. Que ainda há tempo de ser feliz porque a felicidade pode estar em qualquer lugar. Se em Olímpia ou aqui, o que importa? Não temos os pés e mãos atados (ainda), portanto somos livres para buscar aquilo que nem sabemos o que é, e que sentimos falta.

Que é ilusão pensar que nossa cidade frenética traz alguma felicidade.

São Paulo real não é a São Paulo global.

Vou sentir falta desses lugares, em especial Olímpia, não só porque me trouxe diversão e acolhimento, mas porque mais uma vez eu aprendi que, para qualquer lugar que eu vá, eu poderia fazer por alguém aquilo que eu ainda preciso fazer por mim mesma.



Juliana Tura



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