Encontros X Desencontros

Houve um tempo em que eu pensava que havia pessoas feitas umas para outras.
Um sonho infantil.
Sempre fui platônica. Não acho um defeito, mas vá lá, tem seus perigos.
Elegia. Até tê-lo pra mim. E o eleito sem o saber era o rei. E tendo consciência de sua majestade, ou se tornava um tirano, ou se tornava um sapo de vez, porque a sua eleição durava tempo suficiente para que uma das partes tomasse consciência da relação doentia que se fizera.
Eu, por um lado, praticamente uma fêmea a ser domesticada, e ele, por outro lado, um rei-sapo a ser exilado de seu território natural. Sim, porque a minha eleição durava o tempo suficiente para domá-lo.
Por vezes, esse rei-sapo ía até o meu limite, outras vezes era ele quem pulava fora da lagoa-palácio porque via em mim algo que o amedrontava.
Era, definitivamente, uma relação doentia. E não foi uma, duas... Foram várias e duradouras relações.
Fora as que duraram dias, semanas e meses.
Desgastante.
Sempre estive em busca desse amor infantil.
Tiveram homens que cheguei a estar apaixonada por anos. Sem absolutamente nada acontecer. E que, por muita luta, consegui afinal o primeiro encontro e Pluft - o amor platônico se esvaiu. Claro, era platônico. Só acontecia em meus pensamentos.
Outros por quem eu gostaria de ser amada, desejada, cuidada. Mas eu não soube expressar o que queria.
Outros que me desejaram ardentemente, mas eu não quis.
Outros que me amaram e não sabiam o que fazer com isso.
Outros que tentaram fazer eu entender que o relacionamento se constrói a dois. E que a mulher não pode querer fazer tudo. Que isso anula o outro.
E eu pensava que idade significava alguma coisa.
Estava enganada.
Eu pensava que tinha que ser igual.
Eu pensava que precisava provar o quão eu era boa.
Eu pensava e continuo pensando que.
Hoje eu continuo sendo platônica.
Mas hoje eu penso diferente.
Penso que o beijo de uma noite significa nada ou tudo.
Que beijar um amigo pode aumentar a amizade.
Que um garoto de 20 pode ter mais a me ofertar que um homem de 40. Ou Não.
Que a balada não promove encontro a dois. (há controvérsias)
Que na feira, no trânsito, na internet ou no telemarketing pode estar o amor de sua vida.
Que o orgulho pode acabar com qualquer oportunidade de você ser feliz.
Que se você quiser ser amado você precisa primeiro dar amor.
Que o outro acredita que você se importa com ele.
Que podemos ser felizes com alguém mesmo que seja por uma noite, um dia, um momento. Não importa, desde que haja desejo, respeito e afeto.
E que amanhã, com certeza, estarei pensando diferente de hoje. Afinal, tudo vai depender das relações que eu tiver daqui pra frente.
No mais, não existem pessoas feitas umas para outras. Existem encontros. Façamos deles encontros ideais. E não desencontros banais.
Juliana Tura

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