Discre-panças

A maçã disse para o tomate: Sem chances de ficarmos juntos agora.

E o tomate perguntou: Porque? Gosto tanto de você.

E a maçã: É, mas gostar é pouco. Você precisa mudar.

Tomate: Ficar vermelho?

Maçã: Não meu bem, porque vermelha eu também sou.

E o tomate: Então, não entendi...

E a maçã: Sua cor e aspecto não me interessam assim tão grandemente.

E o tomate revidou: Mas meu aspecto é gostoso como minha polpa.

E a maçã não contente disse: Os caroços de tua polpa conheço bem. Amargam meu paladar.

Tomate: Também não me servem, mas não sei como livrar-me deles.

Maçã: Teus caroços devem ser jogados fora. Como todos os caroços.

Tomate: Como fazê-lo?

Maçã: Dos meus caroços já tomo conta. E jogo-os fora um a um, dia a dia. E forço-me para assim fazê-lo.

Tomate: Ajuda-me então.

Maçã: Indico-te caminhos e tu busca-os. Não posso fazer por ti.

Tomate: Por qual caminho devo seguir?

Maçã: Começa por procurar a terra fértil que te forneceu a vida. Lá tu encontrarás força e sabedoria.

Tomate: Mas essa terra já esta velha, seca.


Maçã: Tua terra é tua mãe, filho. Busca nela teus íntimos afetos e encontraras a ti mesmo. É isso que procuras.

Tomate: Então queres o que procuro?

Maçã: Não! Quero o que encontraras de mais verdadeiro de tua raiz!


Juliana Tura

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