Olho de Tandera

A bondade é apenas uma parte dela.
Ela não é boba.
Nem insana, nem tola.
Ela conhece e obedece.

Há uma Lei.

Ela vê
Ela intui
Atenta, observa
Quem dela quer se servir.

Há um limite.

Mas a fome quando é grande
E não há prato que a sirva
Faz o corpo secar
O corpo murcha.

Há outros corpos.

Foi lhe dado ver
Foi lhe permitido
Ver o corpo que fala o que a fala não diz
Mas ela não revela.

É o olho de Tandera

Ela vê o querer
Ela sabe o que há por trás
Ela sente você
Mas ela não o julga.

Apenas aguarda
Guarda
Aguarda e prepara
A hora do Bote.

Se para o bem ou para o mal
Quem o sabe
Tudo pode acontecer
Ela vê.

O mau querer
Ou o bem querer
Ah, acredite.
Ela vê.

Juliana Tura

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