Eu beijo o simples
porque o simples assim o é.
Não há imagens distorcidas,
criações egocentristas.
Não há pretensões
ou piradas divagações.
Valsa, sedução.
Melodia silenciosa.
Sem competição.
Só há o beijo.
Sem tormentos,
expectações,
frenesis,
precoces ejaculações.
Apenas carícias.
Doces carícias.
Ah, o beijo. O beijo em si.
Não é falso por ser verdadeiro.
Mas é falso quando não é inteiro.
O inteiro envolve, afecta.
Vem do pensamento.
Contrário aos do casamento.
Vem do cheiro.
Dos sentidos, do desejo.
Mas é passageiro.
Porque o desejo é passageiro.
Fica o beijo.
Fica o desejo.
Fica no tempo.
Aquele ardente beijo que afecta, que infecta.
Por isso beijo o simples.
Porque o simples assim o é.
Não há pretensões.
Não há.
Juliana Tura
Nenhum comentário:
Postar um comentário