...
Óh, sim. Como a senhora é gentil.
Obrigada. Gentileza a sua.
Óh, como és bela.
Verdade? Nem havia percebido.
Sim, sim. És bela, delicada, linda para ser bem exato.
Ah, como o senhor é delicado.
Não incomoda-se se a chamar pra dançar?
Porque me incomodaria? O senhor é tão cordato. Aceito, sim.
...
Posso encontrá-la novamente?
Sim.
Pois então, está combinado.
Pois bem.
...
Oh, não se preocupe. O senhor, tão gentil.
Mil perdões.
Mas, eu. gostaria..
Senhora, deixe-me...
Senhora, não tive a intenção...
...
Um minuto, sim.
...
Desculpe-me, senhora.
Não quero vossa desculpa, senhor. Gostaria, por gentileza, que por mim ou por alguma madame, tu tivestes o mínimo de respeito, pois não importa que comigo estejas, importa sim, tu tratardes uma madame que ao compreenderes tu, tu a compreeendas também.
Ouça-me, por favor.
Diga, já que isto lhe faz bem.
Dê-me uma nova chance. Caso eu haja feito-lhe algum mal, gostaria, se me permite, ter mais uma oportunidade, para redimir-me.
O que dizes? O que queres tu de mim?
Quero poder vê-la novamente. E dentro dos conformes. Assim como a senhoura diz-me. Desfrutar de vossa companhia, tão agradável a meus olhos. Convido-a novamente para um passeio. Aceite, pois, esse pedido, o faço de coração.
Ah, sim. E porque deveria crer que isso sejas verdade, se vossos atos não condizem com vossa falas?
Madame, peço-lhe que não sejas tão rigorosa em vossos julgamentos. Acaso achas que estou aqui a brincar? Já não vos expliquei o ocorrido?
Sim. Então, para que eu não pareças assim tão severa, permito-lhe buscar-me amanhã. Devo ausentar-me neste momento. Uma dor de cabeça perturba-me desde o nascer do sol.
Sim, claro. Espero que amanhã, ao vê-la, estejas sem tal enfermidade.
Passar bem, senhor.
Passar bem, minha bela senhoura.
...
Madame?
Sim.
Não poderei vê-la novamente.
Que diz? Perdão, não pude escutar.
Sim, permaneci atolado em compromissos mil. Não ocorreu-me um segundo de folga sequer para poder avisá-la. Importa-se, novamente?
Não, senhor.
Não?
Não.
Porque não importa-se? Não irá lamentar-se? Praguejar, talvez?
Imagine. Ache graça.
Porque desdenha, madame?
Não desdenho, senhor. Apenas não me importo.
Mas, em nossa última conversa pareceu que...
Um momento, senhor. Acaso achas que em nossa última conversa referia-me somente a ti?
Assim pareceu.
Disse-lhe o que pensava. Somente isso.
Não entendo.
Senhor, não posso importar-me com vossas escolhas. Acaso foi eu quem o procurou? Porventura disse-lhe que desejava ardentemente vê-lo? Pedi-lhe que me procurasse? Não, senhor. Assim não o fiz. Foi o senhor quem o fez, e não somente uma vez. Penso que se uma madame como eu não está entre vossas primazias, o senhor há de encontrar uma madame que o aceite assim. Para mim o senhor não serve.
Não sirvo. Essa é boa. Não sirvo.
Senhor, seja um cavalheiro e permita-me desfrutar de vossa amizade. Peço-lhe que não tentes nada além disso. Do contrário, terei novamente que privá-lo da minha companhia, por definitivo.
Estou estupefato!
Por ter encontrado uma madame que se difere das que estás acostumado, não?
Talvez.
Não se aborreça. Há de divertir-se com donzelas mil. Trate-as com os cuidados devidos e não há de se aborrecer com balelas. Uma delas compreenderá melhor o senhor do que eu. Agora, se me permite devo ir.
...
Senhoura?
Madame?
Porque não atende?
...
Juliana Tura
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